• Frase da Semana :
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  • Ao final, não esperem uma verdade absoluta, pois terei que infelizmente lhes informar que não há. - Amanda Lemos -

sábado, 11 de junho de 2011

Os dias anormais de verão, - Prólogo e Capítulo I -



Prólogo

Perdoem-me , caros leitores, se os decepcionei com textos metalingüísticos e livres, e por agora resolver começar, ou melhor, tentar transpor uma narrativa eufórica que se passa em minha mente delirante, como se fosse o próprio “ovo de Colombo” ou se emanasse de vontade de ser escrita.
Quisera eu ser um conto, não sei se é, deixe as palavras escorrerem nessas linhas sem um fim determinado, como o líquido que percorre nosso organismo até chagar em nossas correntes sanguíneas.
Como o bem que se dissipa facilmente, 

Como o hormônio do 15 ainda me sequestra e me prende nessa adolescência confusa peço desculpas desde já se a história tomar rumos meios incertos , e por vezes até clichê.

Permita-se a ler e digerir um pouco dessas minhas palavras e crases avulsas.

Dedico essa historia não à alguém ou algo específico, mas à todos os sonhos e amores platônicos. 
Incompletos, incompreendidos e por mais que ultrapassem teorias ou bases lógicas não cansam de transpor o impossível e reconstruir um coração já tão despedaçado.

E com um pouco de sutileza e felicidade de quem inicia o incerto mas 
arrisca-se apenas por começá-lo eu desabrocho minhas palavras e expressões na esperança furtiva que vocês, leitores, sintam ao menos um pouco da intensidade e angústia dessas letras.
Um amor longe de definição de estático, que se contenta além da euforia, do imortal e que se corrói aos poucos, martiriza.
Eu lhes transponho agora.


Capítulo I

JÁ MARCAVA QUASE 18:30 no relógio de Alice, mas ela ainda observava pela janela meio embaçada do Donnuts, armazém/bar, em que  passava sempre após as incansáveis aulas de medicina e biologia pesadas da faculdade. Um sonho profissional realizado, de certa forma.

 Pela janela observava a chuva escorrendo, como se as gotas geometricamente caíssem no chão e fizessem um barulho estridente, inócuo.

A rotina de Alice era óbvia, e por vezes, cansativa.
Faculdade pela manhã até as 17:00 da tarde, refeição jantar/lanche no Donnuts, café e torta de limão. ( Me espanta o fato de Alice ainda não ter contraído uma Diabetes, talvez a genética não permita. Deixe por está. )
Cerca das 19:00 voltava para casa. Morava sozinha.
Filha única, seus pais moravam na pequena cidadezinha de Safford, Condado de Graham, Arizona. 
A vida nessas cidadelas costumam ser mais calmas, tranquilas, vizinhos que se cumprimentam e panquecas aos domingos. 
Local perfeito para uma família meramente estruturada como se diziam ser os “Calbot”.

Saiu cedo de casa, aos 18, para tentar o sonho de cursar medicina, um sonho de infância, embora seu sonho prematuro de ser cantora tem sido abandonado pelas velhas e estagnadas teorias realistas de sua mãe.
Família tradicional, de costumes, regras e tradições  seguidas à risca. 
Sonhos eram mero detalhe de uma mente fraca e delirante.
Não aceitos naquela casa. Força do hábito.

Após voltar para casa as 19:00, Alice tomava banho e vestia sua camisola de renda favorita amassada no guarda-roupa, ouvia as mensagens deixadas após o “Bip” no correio eletrônico, assistia a algum programa culinário ou auto-ajuda  na televisão e ia dormir, cedo diga-se de passagem, não esperando nada de novo ou inusitado para o dia seguinte, o itinerário já era programado.
A não ser nos fins de semana em que saía para alimentar os patos no parque de Florença, fora isso os feriados eram reservados para reencontro familiar e milhares de louças para se lavar no casarão de Safford.
Costume fiel nesses feriados.

Perdoem-me se ainda não lhes contei dos detalhes físicos de Alice, me detive em outros interesses.
Mas como a curiosidade atormenta, não poderia deixar de lhes contar que era um linda moça, de beleza tímida e abafada por falta de público que a admirasse.

Seus cabelos loiros claros não deixavam dúvida, seus olhos acinzentados como fumaça de neblina e sua pele tão branca que parecia neve incrustada. Imaginem o óbvio.



Era uma segunda de sol e Alice já acordava com o despertador vermelho da cômoda.
Preparava-se para encarar enzimas, hemácias, hemoglobinas, e aminoácidos na faculdade, sem contar, é claro, nos testes biológicos excruciantes. 
Sangue, hematomas, diagnósticos e revisões.

Nesta segunda, Alice saira mais tarde da faculdade marcando alguns plantões para esse fim de semana, deixando os patos famintos para outro sábado qualquer.
Decidida, a passada no Donnuts seria rápida, tinha que seguir em pauta todo o itinerário do seu dia. Meia torta apenas e um café amargo para retirar o cansaço dos olhos e a desnutrição intelectual da mente.


Sentou, desta vez, no balcão e como a torta ainda estava assando no forno da cozinha retirou da bolsa o livro: Morro dos Ventos Uivantes- Emily Bronte-.
Qualquer desperdício de tempo poderia ser tido como algo imperdoável naquele momento.

O lendo em desatino nem notou a chegada de um rapaz , batendo a porta do bar e sentando ao seu lado no balcão como quem enganara-se de local e esperasse um Black label de consolo, mas se contentara com uma água mineral apenas

Vendo o livro que Alice detinha em suas mãos o lendo atentamente, o rapaz já intrometendo e subjetivamente dispondo de um “pacto intelectual” afirmou:

- Bom livro, mas acredite, esses amores de infância que crescem subitamente acabam se desmoronando por um ódio e vingança mortais.
Declinam com pouco esforço.
Cathy nunca soube entender realmente o que se passara com Heathcliff. 
Incerto.

- Admiro seu comentário, mas isto em minhas mãos é um clássico, sem definição menos merecedora. Os clássicos geram público, e o que é bom deve ser bem lido.
E seu nome seria... ?

- Benjamin Adams, prazer.
Meu pai foi cuidadoso com a escolha do nome. Sempre percebi sua aspiração e fascínio pela política de Franklin, diplomata a ferro e fogo.

Sim, é um bom livro, para leitores incansáveis e por vez ou outra, leigos. 
Embora, lhe recomende livros de Hugh Laurie. Mestre da genialidade e da frieza mental.
E você seria... ?

- Alice Calbot, prazer.
Sempre achei que meu nome nunca fosse possuidor de alguma motivação especial talvez pelo fato de minha mãe possuir  desilusões demais para crer nisso.
Nem sequer acredita em horóscopo.
A vida como ela diz é “nua e crua, e como bem tal , deve ser encarada assim” Ilusões não são seu ponto forte.
Nem imagino como permitiu-se a crer que a medicina seria para mim.

- Chegado a torta, Alice guarda o livro e se permite a comer faminta, devorando.
O cansaço e “pacto intelectual” lhe abriram o apetite.-


- Vejo então que faz medicina Alice, ótima área.
E deve adorar filhotes de dinossauro não é ? Come sem ao menos mastigar. (risos)
Se me permite, eu te acompanho neste torta, embora maracujá me desperte mais atenção.

- A faculdade não é brincadeira Benjamin, se quer tive tempo de almoçar hoje.
Torta de limão é minha favorita, nem me canso de comê-la todos os dias.
E você o que faz ? 

- Quer dizer que todos os dias da semana você frequenta o mesmo lugar e se delicia com as mesmas coisas ? Não enjoa ? 
Hilário.
Digamos que eu seja um escritor medíocre sem ter nem um pouco de convicção neste ato. Mas é a única que eu sei fazer, ou melhor, que faço certo. 
Pelo o menos palavras são mais fáceis de se lidar.
Às vezes, pessoas são desgastantes, admito.

- Daí se vê sua admiração pelo Hugh Laurie, o amargo predomina.
Sim sim, faço essas coisas todos os dias , com exceção dos feriados e fins de semana. Afinal, algumas boas rotinas merecem ser preservadas.
Escritor ? Me espanta, nem cara tem de quem escreve...; (risos)

- O sarcasmo deve ser seu ponto forte não é mesmo ?
Você julga o livro pela capa ? 
Estranho digo eu, não sabia que médicos escolhiam seus pacientes a dedo.

Mas sim, sou escritor.
Escrevo alguns poemas e textos metalinguísticos que acabo vendendo por um preço fajuto para alguma editora de quinta e vez ou outra  para algum jornal que ninguém lê.

- E porque não cursa alguma faculdade ?
Jornalismo talvez...;

- Se o fizesse daria mais motivos para meu pai se intrometer em minha vida. Estou bem como estou.
Olha, até que limão não é tão ruim assim.
O azedo ao final desperta o paladar aguçado.

- Não gostaria de orgulhar seus pais ?
Aposto que sua mãe ficaria feliz em saber de seu progresso profissional.


O silêncio ecoou. 
O ar pareceu pesar naquele instante,.
O rosto de Benjamin estava pálido, com uma dor interna, mas sincera.


- Acidente de carro, meu pai foi o único que sobreviveu. 
A estrada estava molhada naquela noite.

- Nossa, sinto muito. Desculpe-me.
Às vezes, falo coisas sem pensar. Não precisa se abrir para uma estranha que acabou de conhecer.

- Uma estranha de bom gosto intelectual e quem diria de paladar também.


Alice sem graça pelo elogio sutil acabou por dar a desculpa mais esfarrapada que lhe veio a mente, estava desacostumada em relacionamentos e flertes de bar.
Disse que estava muito ocupada e que precisa ir para casa estudar, se contentando em pensar que aquele “estranho” acontecimento não passara de uma coincidência e casualidade, nada mais.

Porém, sua vida era tão habitual e monótona que qualquer “estranheza” já iria lhe atormentar a noite inteira e o nome Benjamin, embora não associado a pessoa, ficaria latejando em seus sonhos enquanto dormia pela madrugada.


Na manhã seguinte, Alice fez o que fazia todas as terças, ou melhor, todos os dias...
Já se passavam dias, e semanas inteiras de tortas de limão, plantões médicos e de vez em quando, os patos do parque.

Até que em uma sexta após a faculdade, Alice seguia a óbvia rotina se dirigindo ao Donnuts, chegando, logo foi surpreendida por Grace, garçonete  já muito conhecida por Alice, dizendo que um rapaz , o descreve como sendo alto e de cabelos pretos, descrição clichê, mas citou o nome : Benjamin, havia lhe deixado um recado.
Espantoso, após tantos dias .


- Alice, vou lhe dizer as justas palavras dele:
“Grace, peça Alice que leia o capítulo XV do livro Morro dos Ventos Uivantes,  eu sei bem que ela guarda em sua bolsa marrom de camurça, e só após lê-lo, lhe entregue este bilhete, só após.”
Ele foi muito explícito quanto ao livro Alice, eu não sei o porquê.



Dado o recado, Alice, embora espantada, se pôs a ler o capítulo no balcão do bar após ter feito seu pedido casual, a curiosidade de saber o que se tratava no bilhete era eufórica.

Lia sem saber o porquê, mas sabia que se não o lesse ficaria sem resposta por saber que Grace seguiria as ordens de Benjamin à risca.


Lido o capítulo e após um gole de cappuccino recebeu o bilhete e o leu às pressas, em êxtase puro.
O estranho para Alice era tão estranho que o anormal lhe causava estranha felicidade.


“ Se o amor dela morresse, eu arrancaria seu coração do peito e beberia seu sangue”

“... e tu também sabes Catherine, que, enquanto eu viver, nunca te esquecerei!”
Cap. XV- Morro dos Ventos Uivantes-


Alice, resolvi arrancar esse meu orgulho e timidez de escritor inútil e tomar a liberdade de lhe convidar para um encontro, digo, quero lhe mostrar meu lugar favorito, fonte de inspiração de meus escritos.

Sexta, às 18:00, . Te aguardo no seu balcão favorito com uma torta de limão acompanhando.

Um Beijo,

Benjamin”


Alice estava surpresa e na medida ilimitada de confusa.
Caso aceitasse seu convite, sairia da sua rotina monótona, porém, segura, e partiria para um futuro incerto,
 Sem meio termos.

Se desbravando em dúvidas, se perguntava:
Arriscar-se, ou não ?


Continua...





Texto de Amanda Lemos



19 comentários:

KINHA disse...

Ola

Passando para desejar um otimo saturday night e um maravilhoso domingo.

Uma otima noite
BJooooooooo................

http://amigadamoda.blogspot.com

Hubner Braz disse...

Olá Amanda,

Me detive por alguns minutos nesta história e pude perceber as facetas que todos os universitários tem diante da vida, dos fazeres, do amor...

Belo 1° Capítulo... Estarei acompanhando o próximo mais coloca a data... Bejamim e Alice... Hummm...

Mudando de assunto, quero agradecer pela visita que fizeste no meu Blog Confissões insanas.

Quero também agradecer pelo comentário que deixastes no meu texto "Impressões Digitais - Confissões no Dia dos Namorados".

Estou retribuindo e lhe seguindo.

Bjkasss e ótimo domingo!!!

att,
hubnerbraz.blogspot.com

Vanessa Vieira disse...

Olá Amanda! Já estou seguindo o seu blog. Fica o convite para conhecer, e caso goste, seguir o meu também:
http://newsnessa.blogspot.com/
Beijos!

Divine Famous World disse...

Brigado amor, gostei também do seu e tou te seguindo (:

segui lá tbm, bj
http://divinefamousworld.blogspot.com

'Ana Priscila disse...

Ameeeei o seu estilo de escrita

Adorei o texto
tbm


Já estou te seguindo


se quizer fazer parceria com o meu blog e blog do projeto que estou organizando é só deixar um coments

http://irmandadeliteraria.blogspot.com/

o link


beijos

Carolina disse...

Super amei o seu blog (:
Obrigada por comentar lá na Caixa ;) onde encontrou meu blog?
Você escreve muito bem (:
beijos ;*

Carol da Caixa
http://caixa-a-a.blogspot.com

Rafael Lopes disse...

Olá Amanda, tudo bom?
desculpa a demora em passar por aqui.

Gostei muito do blog
já estou te seguindo
bjao

Natalia Smirnova disse...

Ola, gostei muito do seu blog. É um cantinho bem legal, interessante. Gosto de navegar e descobrir blogs novos, assim achei o seu...rs. Eu mesma sou autora de um blog-book chamado “Illegitimate”. Acabei de postar um Sneak Peek do próximo capítulo no POET (Pages Of Erased Text) http://pagesoferasedtext.blogspot.com/
Da uma passadinha por lá. Espero que goste. Ate a próxima.

Asas que ultrapassam os domínios do Sol disse...

Oi Amanda,
achei muito legal seu blog porque realmente está por dentro do assunto, e são tantos assuntos... Sem medo de dizer e de assim ser, creio que este é um blog para quem gosta de escutar, de se relacionar sem amarras ou fingimento. O meu espaço de blog se chama asas que ultrapassam os domínios do sol porque estou cansada de olhar para o horizonte e enxergar limites, fronteiras e paredões. Preciso desabafar, voar e mostrar que há muito mais do que sombra, existe a luz depois da caverna... como já se havia descoberto a muitos anos a trás.
Um abraço,
Hilda Freitas (agora) Niterói

Cromossômico Subjetivo disse...

Estava navegando no mar de suas palavras, nessas águas digitais... Parabéns pelo blog e ideias que fundamentam-o. Grande e amoroso abraço. Cromossômico
(http://cromossomico.com.br ou http://alternativasubjetiva.blogspot.com.

:$ Carloos ' disse...

Estou passando aqui pra fazer uma visita :]
gostei muito do #blog, volto aqui sempre que puder visita o meu blog, segue ou comenta :} eu sigo de volta, seja bem vindo (a) : http://carlosyurii.blogspot.com/ *--*

Dália disse...

Obrigada pela visita.
Seu blog é muito bonito e interessante, parabéns!

Volte sempre...
Abraços

m.cubiak disse...

Oi Guria.
Prazer por me receber em seu território poético! Fico feliz que existam lugares assim.
Grande abraço!
Márcio

Marinete disse...

Oiiii, como vai?
Lindooo seu blog!
visita o meu?
bjss

Nina Salomé disse...

Gostei muito da sua narrativa precisa e detalhista.
Venho sempre.
Valeu a visita.
Volte sempre também.

Rodrigo Fidalgo disse...

Olá, moça!
Vim aqui agradecer-te pelo comentário em meu blog. Gostei de você ter gostado!
Passe sempre por lá e sempre deixe comentários também, ok? É sempre bom ouvir a opinião das pessoas...
Gostei bastante do seu também e já coloquei ele como "recomendado" no meu, ok?
Um grande beijo!
http://classicoscults.blogspot.com

Chellot disse...

Apaixonante. Agora que li quero continuar a ler e saber qual o desenlace de Alice e Benjamin.
Amei o blog. Grata pelo carinho no Labirinto. Volte sempre que desejar.
Beijos doces.

De Scarpin disse...

Ola Amanda!

Amei aqui viu, você escreve muito bem, realmente é um dom; parabéns!

E seja sempre bem vinda :)
grande beejo'

Fanzine Episódio Cultural disse...

machadocultural@gmail.com
O Fanzine Episódio Cultural é um jornal bimestral sem fins lucrativos, distribuído gratuitamente no sul de Minas Gerais, São Paulo (capital), Salvador-BA e Rio de Janeiro. Para participar basta enviar um artigo sobre esporte, moda, sociedade, curiosidades, artesanato, artes plásticas, turismo, biografias, livros, curiosidades, folclore, saúde, Teatro, cinema, revistas, fanzines, música, fotografia, mini contos, poemas, etc.
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Aqui não se conta tudo, porque o tudo é um oco, é um nada. Se conta somente, e o somente não necessita de explicação.

Amanda Lemos